Saindo de Nasca embarcamos em outro ônibus, dessa vez com destino a Arequipa, segunda maior cidade do Peru depois de Lima. A viagem durou nove longas horas, já que não conseguimos vaga no leito e tivemos que ir no executivo. Deu para dormir um pouco, mas longe de ser algo confortável. Durante determinado momento da viagem acordei e não sei se fiquei com medo ou impressionado. A gente estava cruzando uma serra (Arequipa fica a mais de 2 mil metros do nível do mar), no meio do deserto. A paisagem era simplesmente maravilhosa, mas a estrada que a gente estava era uma coisa terrível para quem está num ônibus. Conhecem a serra de Taubaté, que sai em Ubatuba? Pois é, a gente estava numa serra 10 vezes pior. O jeito foi tentar dormir e não pensar no que poderia acontecer.
Arequipa está para o Peru como o Rio Grande do Sul está para o Brasil. É uma cidade que buscou durante muito tempo sua independência, chegou a emitir passaporte próprio no passado e até hoje é chamada de República de Arequipa. Pelas cidades mais ao norte, como Lima, é vista como traidora, por não oferecer resistência alguma às invasões chilenas nas guerras do passado. Como o Chile perdeu a guerra, Arequipa é hoje deixada em segundo plano pelos próprios políticos, que também não são bem vindos por lá.

Arequipa está para o Peru como o Rio Grande do Sul está para o Brasil. É uma cidade que buscou durante muito tempo sua independência, chegou a emitir passaporte próprio no passado e até hoje é chamada de República de Arequipa. Pelas cidades mais ao norte, como Lima, é vista como traidora, por não oferecer resistência alguma às invasões chilenas nas guerras do passado. Como o Chile perdeu a guerra, Arequipa é hoje deixada em segundo plano pelos próprios políticos, que também não são bem vindos por lá.
De qualquer forma, Arequipa é uma cidade belíssima. Conhecida como a “Cidade Branca”, Arequipa está ao pé de dois grandes vulcões. A atividade vulcânica da região permitiu o desenvolvimento de uma rocha chamada silliar. Por ser leve e resistente praticamente toda a cidade é construída com ele, e como tem uma coloração branca, é a responsável pelo simpático apelido de Arequipa.
É em Arequipa que está também o Convento de Santa Catalina. Esse convento chegou a manter mais de 200 mulheres enclausuradas para virarem freiras no passado. Hoje são pouco mais de 20 e que já não precisam ficar enclausuradas e conseguem ter uma vida em comunidade. O interessante de conhecer igrejas, mosteiros e conventos é que a gente sempre descobre umas coisas interessantes. Andando por lá eu acabei vendo as freiras retratadas em pinturas, mas todas de olho fechado. O motivo para essa coisa curiosa é que elas eram retratadas somente depois de morrer e por isso sempre apareciam de olhos fechados. E elas só poderiam ter uma pintura depois de mortas porque uma imagem própria era considerado um pecado da vaidade.
Mas como para tudo nessa vida se dá um jeito, eles arrumaram uma maneira de burlar essa regra. Tem um freira lá, a madre sor Ana de los Angeles Monteagudo, que entrou no convento aos quatro anos de idade e ficou enclausurada até morrer aos 80, que já foi beatificada e está para ser considerada santa pelo Vaticano. Ela tem uma pintura de olhos abertos, afinal, seria chato ter uma foto de uma quase santa só de olho fechado, né? Essa pintura, no entanto, foi feita na época da beatificação e resolveram fazer a mulher de olhos abertos.
Arequipa é uma cidade fantástica, grande, com uma histórica rica e com a religião sendo algo muito valorizado. Existem igrejas muito bonitas, uma influência de jesuítas muito forte e a disputa com Lima, que deixa um clima de rivalidade no ar. Assim como em Lima, Arequipa tem taxistas muito chatos, que também passam o tempo todo buzinando atrás de passageiros, mas mesmo assim vale o passeio.